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Fotografia de parto: registro potente para a transformação. Mas, vamos falar de empatia?

Uma boa foto é aquela que não precisa de legenda.

Ouvi essa frase há alguns anos e posso dizer que bateu forte em mim, norteando meu trabalho. Desde então procurei resolver em uma imagem tudo aquilo que eu gostaria de transmitir, sem legendas. Passei a ver e a sentir a fotografia de forma mais profunda e, ao mesmo tempo, me afastei mais das palavras, que nunca foram o meu forte.

Mas aquilo que repelimos de alguma forma também nos atrai. E aqui estou eu pra falar do que tanto gosto, imagens e parto.

A fotografia de parto é um registro documental, que fala por si. É um registro que dispensa legendas. Acessa as pessoas em um lugar instintivo, de pertencimento. Ou o contrário, dependendo da história de vida de cada um. Mas de toda forma provoca. O que percebo é que ninguém passa batido em uma foto de nascimento.

Muitas mulheres, vendo outras parindo, se identificam e buscam informação para o seu próprio parto. E aí sim questionam o sistema, trocam de equipes, viram o mundo do avesso atrás de respeito e autonomia em um dos momentos mais importantes da sua vida. Por isso digo que a fotografia de parto é um agente de transformação potente.

Mas a realidade é que para muitas mulheres não é tão fácil se esquivar do sistema. Quando se depende de plantonistas, plano de saúde, serviço público de saúde, a escolha não é tão simples e somos jogadas numa roleta da sorte. Temos que contar com o valor humano daquele que será o plantonista da vez. Ou com a sorte de um parto “rápido e fácil” que não dê espaço para intervenções desnecessárias. Temos que contar com a empatia de pessoas que são diariamente dragadas pelo sistema e longe de serem felizes. É um ciclo. Está bom pra quem?

Agora o papo é com as mulheres e essa é a deixa pra eu te fazer um convite: como seria se todas nós, mulheres, nos olhássemos com empatia? Como seria se as mulheres se apoiassem? As eleições estão aí e são uma oportunidade de mudança.

É no micro, nas nossas ações cotidianas, que mudamos o macro.

Fica o convite!

Comentários (4)

  1. Victória Araújo 12 de novembro de 2020 at 8:01 pm Responder

    Lela, te acompanho desde o momento que cruzei com o que teu olhar enxerga – rico, forte e sensível. Que lugar necessário esse onde podemos falar, ouvir e discutir sobre empatia.

    Que esse texto e reflexão possa ecoar por muitos espaços!

    Grata por essa partilha sincera e gentil.

  2. J B Cavalcanti 12 de novembro de 2020 at 10:11 pm Responder

    Gostei muito. Ótimo.

  3. Olga Beltrão 12 de novembro de 2020 at 10:23 pm Responder

    Falou com muita propriedade, querida!!!
    Um texto leve, mas contundente! Gostoso de ler… Daqueles que dão pena quando termina.
    PARABÉNS!
    Um beijo!

  4. Allan Kuwer 13 de novembro de 2020 at 8:09 am Responder

    Lindo texto. Sou fã dessa fotógrafa.

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