Quando falamos sobre alimentação infantil, existe um princípio que considero essencial para que esse processo aconteça de forma leve, respeitosa e saudável: a Divisão de Responsabilidades, proposta por Ellyn Satter, referência mundial em comportamento alimentar.
E você sabia que o BLW (Baby-Led Weaning) é uma das abordagens que mais favorecem e respeitam essa divisão desde o início da introdução alimentar?
Há mais de 10 anos, nas redes sociais e nos atendimentos, eu reforço sempre com as famílias que alimentar não é impor. É dividir responsabilidades de forma clara, para que o bebê cresça entendendo seus limites, suas necessidades e, principalmente, sua autonomia.
Mas afinal, o que é a Divisão de Responsabilidades?
De forma prática e muito simples, Ellyn Satter propôs que, em relação à alimentação, os pais e os filhos têm papéis diferentes, mas complementares:
Enquanto o adulto é responsável por:
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O o quê oferecer (qual alimento)
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O quando oferecer (os horários e a rotina)
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O onde oferecer (o ambiente, o contexto da refeição)
A criança é responsável por decidir:
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Se vai comer
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O quanto vai comer
Até pode parecer que não faz sentido, mas garanto que quando essa divisão é respeitada, ela é poderosíssima. Ela tira da mesa o controle, a pressão e as disputas, e coloca no lugar o respeito, a confiança e a construção da autonomia alimentar.
O BLW e a autonomia desde o início
O BLW, por definição, segue exatamente essa proposta. O adulto cuida da escolha dos alimentos, prepara o ambiente, garante a segurança e oferece alimentos adequados em corte, textura e variedade. Mas quem conduz a refeição é o bebê. Ele decide se vai comer, o que vai pegar primeiro, o quanto vai colocar na boca e até quando vai encerrar aquela refeição.
Por isso, o BLW não é apenas uma moda ou uma técnica diferente de oferecer comida: ele é uma forma prática e concreta de respeitar a autonomia do bebê e ensinar, desde muito cedo, que seu corpo merece ser ouvido. Afinal, só ele sabe o quanto precisa comer e quais alimentos ou nutrientes precisa naquele momento (sabe quando o bebê passa dias preferindo arroz ou macarrão? Ou em outros que come só as carnes? Pode ter certeza de que ele vai passar em breve por um ganho de peso ou pico de crescimento).
E essa é a base para uma relação saudável com a comida por toda a vida.
Quando respeitamos essa divisão, também protegemos o bebê de desenvolver relações negativas com a alimentação, como comer por obrigação, desrespeitar a própria saciedade ou criar aversões por conta de pressões e insistências.
E mais: nos permitimos quebrar o ciclo do autoritarismo alimentar e imposições vindas da educação tradicional – que temos visto, dia após dia, que não nos fizeram bem e não fazem bem aos nossos filhos.
Comer é mais do que nutrir: é vínculo, autonomia e confiança
Muitas mães me perguntam: “Mas como confiar que ele vai comer o suficiente?”. A resposta é: confie no processo. O bebê nasce com mecanismos naturais de autorregulação de fome e saciedade. Ele mama a hora que precisa e deixa de mamar quando está satisfeito (se você já tentou oferecer leite para um bebê sem fome e sem necessidades de sucção, já deve ter visto ele fechar a boquinha, virar o rosto ou simplesmente seguir sua vida, como se nada estivesse ali, não é?).
Então, quando começa a introdução alimentar, o bebê segue com esse mecanismo extremamente ativado – e é por isso que ele só vai comer o quanto precisa, mesmo que ainda tenha comida no prato ou você ache que ele precisa de mais algumas colheradas. E, infelizmente, pode ir desativando essa percepção conforme o comportamento não respeitoso dos cuidadores.
Portanto, o papel dos cuidadores é de confiar e respeitar esses sinais, não tentar controlá-los.
O que você faz e o que seu bebê faz: cada com seu papel
Quando entendemos e respeitamos essa divisão, a hora da refeição deixa de ser fonte de ansiedade e passa a ser um momento de aprendizado, conexão e prazer. O adulto oferece, garante segurança, apresenta variedade e mantém a rotina. A criança explora, aprende e desenvolve sua autonomia alimentar no seu tempo.
Esse é o verdadeiro sentido de criar um ambiente alimentar saudável: não controlar, mas conduzir com respeito e confiança.
Eu posso te ajudar a viver esse processo com mais leveza
Eu ajudo mães e famílias que desejam uma introdução alimentar mais tranquila, que respeite o ritmo do bebê e fortaleça o vínculo da alimentação como algo prazeroso e não como uma batalha.
Ensino, na prática, como aplicar a divisão de responsabilidades e como conduzir a introdução alimentar de forma leve, segura e sem culpa — com ou sem BLW, sempre respeitando a realidade de cada família.
Me chama no WhatsApp ou no Instagram e vamos juntas tornar essa fase mais leve, bonita e cheia de aprendizado para você e para o seu bebê.
Nutricionista Danielle Andrade