Mulheres na Livraria: Diálogos e Novas Conexões na Fradique

Retomamos em março os encontros de mulheres na unidade Fradique da Livraria da Vila, em São Paulo. Realizamos essas rodas desde antes da pandemia e, a cada ciclo, o formato se reinventa, sempre em busca de mais conexão e significado. Em 2018 começamos com o #MãesNaLivraria, um espaço pensado para celebrar e naturalizar a presença de mães e bebês em ambientes públicos. O objetivo era claro e urgente: fomentar a empatia e o acolhimento a essa dupla tantas vezes invisibilizada, abrindo caminho para que a maternidade fosse vivida em sua plenitude, sem isolamentos.

Depois, percebemos que a conversa precisava se expandir, abraçando outras fases e vivências femininas, e assim nasceu o #MaturidadeNaLivraria, um convite para mulheres maduras explorarem suas próprias narrativas, desafios e potências.

 

Em 2026, optamos por encontros mensais que integram esses públicos, e rebatizamos o projeto de #MulheresNaLivraria. A proposta é reunir mães (e os bebês continuam bem-vindos), mulheres maduras, aquelas que consideram a maternidade e as que não se identificam com rótulos geracionais. O foco é a conexão direta, a escuta e a troca de experiências, com menos estigma e mais parceria. Para esta etapa, contamos com a presença residente de Claudia Ramos e Marili Cocurullo, do projeto Diálogos da Maturidade Feminina. Embora tragam certa perspectiva terapêutica, o compromisso mesmo é com a inclusão: os encontros são sempre abertos a todas as pessoas que desejarem participar.

Como dissemos em nossas redes, março nos convida a celebrar e também a refletir. O primeiro encontro do ano foi pautado pelo questionamento “Que mulher é você? Que mulher somos nós?a partir da leitura de trechos de uma crônica do livro “Não está mais aqui quem falou”, de Noemi Jaffe (Ed. Companhia das Letras).

“Com gás ou sem” é uma coleção de perguntas que despertaram reflexões imediatas no grupo. Provocações como “qual mulher é a mãe? A mãe sabe alguma coisa? A mãe é bonita mesmo quando é feia?” evidenciaram a vulnerabilidade que muitas mães ainda sentem ao falar de suas incertezas, mesmo sendo figuras centrais no apoio de suas famílias.

Também discutimos a pressão social sobre a maternidade a partir da provocação “toda mulher quer ter filhos? A mulher nasceu para isso?”. A diversidade do grupo presente – que incluía mulheres que escolheram não ser mães reforçou que essa é uma decisão individual e legítima.

O questionamento “se uma mulher é decidida, ela fala como um homem?” permitiu conversar sobre como nossos traços de personalidade ainda são lidos sob lentes engessadas de gênero. Outro ponto alto foi o debate sobre a questão: “as coisas eram iguais, só que as mulheres não discutiam tanto?”. Essa provocação nos levou a entender, mais uma vez, a potência política de estarmos em roda: o ato de discutir e nomear nossas realidades é o que diferencia o conformismo do passado da consciência atual.

No encerramento, utilizamos o baralho “Oráculo da Maturidade”. A carta da TERRITORIALIDADE, que tirei, serviu como gancho para falarmos sobre semear mudanças. Marili trouxe a expressão “orai e vigiai” sob uma ótica de aprendizado mútuo e vigilância sobre nossas próprias práticas, enquanto Claudia tirou a carta da SORORIDADE, fechando o diálogo com o conceito que sustenta o projeto. Juntas somos imensidão mesmo, né, gente?!

Agradeço a todas que participaram dessa troca e estendo o convite para a próxima roda. Estaremos na Livraria da Vila da Fradique, em Pinheiros, SP, no dia 16/04 (terceira quinta-feira do mês), das 15h às 17h.

Venham, o encontro é gratuito e não precisa de inscrição, é só chegar junto no auditório!


Ana Basaglia

Publisher da Editora Timo

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