BLW e Amamentação: Porque a introdução alimentar não significa o fim das mamadas

Quando falamos sobre introdução alimentar e BLW (Baby-Led Weaning), é muito comum surgirem dúvidas sobre como fica a amamentação nesse processo. Afinal, se o próprio nome remete ao “desmame guiado pelo bebê”, será que isso significa que o bebê vai deixar de mamar assim que começar a comer?

A resposta é não. E esse é um ponto muito importante de entender para que você possa conduzir e aproveitar esse momento com mais tranquilidade e segurança.

Como nutricionista especializada em nutrição infantil e trabalhando há anos com o começo da alimentação do bebê, preciso reforçar: a introdução alimentar não é o momento do bebê parar de mamar. Pelo contrário, o leite materno (ou a fórmula, quando for o caso) continua sendo a principal fonte de nutrição do bebê por pelo menos todo o primeiro ano de vida.

Mas então o que significa, de fato, o “desmame guiado pelo bebê”?

BLW é a sigla para Baby-Led Weaning, que traduzido de forma literal significa “desmame guiado pelo bebê”. Mas isso não deve ser interpretado como um corte abrupto das mamadas quando o bebê começa a comer.

Aliás, aqui já abro um grande parênteses para pontuar: São mínimos os bebês que começam a introdução (aos 6 meses e com todos os sinais de prontidão) e já começam a comer, sabia? A imensa maioria vai começar a realmente comer depois de alguns meses de contato e exploração e nem por isso já estarão aptos para o desmame (spoiler: e ainda bem!).

O que essa abordagem propõe é que a introdução alimentar e o processo de desmame aconteçam de forma natural, respeitando o ritmo de cada bebê, sem pressões, sem imposições, e, principalmente, com muito respeito ao seu desenvolvimento e necessidades.

Com o BLW, o bebê vai tendo contato com os alimentos sólidos aos poucos, no seu próprio tempo, aprendendo a explorar, a pegar, a levar à boca e, gradativamente, a comer quantidades maiores conforme sente necessidade e interesse. Ao mesmo tempo, as mamadas continuam acontecendo (mais um spoiler: na grande maioria das vezes até percebemos que o bebê passou a mamar mais depois que começou a comer – e está tudo bem, de verdade!), porque ainda são uma fonte fundamental de nutrição, conforto e segurança.

O desmame, portanto, não acontece da noite para o dia. Ele é um processo natural, gradual e construído ao longo de muitos meses com afeto e respeito. Lembrando que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde (MS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre a duração da amamentação são de 6 meses exclusivos e continuado até 2 anos ou mais.

Ou seja, não tem problema nenhum o bebê “engatar” a comer durante sua introdução e seguir mamando tanto quanto antes. Afinal a amamentação só traz benefícios ao bebê, segue sendo totalmente necessária em seu desenvolvimento e ainda ajuda em toda sua aceitação alimentar.

Comer e mamar: tudo ao seu tempo

Nos primeiros meses da introdução alimentar, é absolutamente normal que o bebê coma pouquinho (ou não coma nada!). Muitas vezes, o momento da refeição é mais de exploração, descoberta, brincadeira e estímulo sensorial do que de “alimentar para nutrir”. E está tudo bem! O leite segue sendo o responsável por fornecer toda a nutrição e tudo mais que seu bebê precisa.

Por isso, é importante reforçar: não tenha pressa. Não existe uma meta rígida de quantidade de comida. Aliás, se posso te dar uma dica de coração: fuja de profissionais que falam que seu bebê tem que comer x gramas de comida ou y colheradas ou z refeições em determinado mês de vida. Bebês não tem que nada…digo, têm sim. Bebês têm que ser respeitados e serem permitidos a construir uma relação positiva com os alimentos, que vá entendendo aos poucos suas sensações de fome e saciedade e que tenha um espaço seguro para explorar com liberdade.

Conforme o bebê cresce, desenvolve suas habilidades e aumenta o interesse pelos alimentos, naturalmente ele vai deixando de mamar durante as refeições e preferindo a comida (e de novo: não será logo no começo ou com poucos meses da introdução, tá?)

Para você ter ideia, aqui em casa, Liz foi uma bebê 100% BLW  e que deixou de pedir o peito durante as refeições com quase 16 meses…e sabe o que é mais lindo disso tudo? Eu oferecia o peito antes, durante ou depois da comida, se assim ela quisesse. De repente, ela foi comendo e não pedindo mais para mamar e quando dei por mim, percebi que fazia semanas que ela não mamava mais durante as refeições. E digo tranquilamente que vivi toda a prática de todas as teorias que sempre oriento e que tivemos uma transição entre mamar menos e comer mais linda e extremamente respeitosa. E esse é o verdadeiro “desmame guiado”: quando a própria criança conduz esse processo, no seu ritmo.

O papel da mãe nesse processo

Entender esse conceito é libertador para muitas mães. Você não precisa se preocupar em apressar nada, nem em “fazer o bebê comer mais” ou “mamar menos”. O seu papel é oferecer um ambiente seguro, alimentos adequados, comer junto e confiar no tempo do seu filho. O restante acontece de forma natural.

É muito bonito perceber que, quando respeitamos esse processo, construímos uma relação de confiança com o bebê e com a comida. O momento das refeições deixa de ser fonte de ansiedade e passa a ser uma oportunidade de conexão, aprendizado, autonomia e infinitas memórias afetivas.

Como eu posso te ajudar?

Se você está iniciando a introdução alimentar, sente insegurança ou tem dúvidas sobre como conciliar esse processo com a amamentação, eu posso te ajudar. Meu trabalho é justamente te acolher, orientar e mostrar caminhos mais leves e respeitosos para que você e seu bebê vivam essa fase de forma positiva, tranquila e sem culpa.

Vamos juntas construir uma introdução alimentar que respeite o tempo do seu bebê e fortaleça ainda mais o vínculo entre vocês.

Me chama no WhatsApp ou no Instagram e vamos conversar melhor!

Nutricionista Danielle Andrade

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