Crianças, legumes e verduras, a junção de três temas que podem render desafios e muita dor de cabeça na família. Mas vamos falar a real? Comida não deveria ser tratada como punição ou prêmio. Porém, quantas vezes ameaçamos deixar de fazer algo porque a criança não comeu? Ou fazemos festa porque ela limpou o prato?

Uma criança não vai aprender a comer verduras e legumes porque se sentiu obrigada, e ela não vai gostar de alface sendo induzida a comê-la. E não é nada interessante que coma persuadida porque, por algum tempo, ela até pode aceitar, mas isso tende a não se sustentar conforme ela cresce. Chegará um dia em que seu filho cresceu e você acaba desistindo por não ter mais controle sobre ele.

E os nutrientes das verduras e dos legumes que são importantes para a saúde dessa criança? 

Essa tende a ser a nossa principal motivação para forçar a barra. Um prato variado tem mais chances de fornecer aquilo que alguém precisa. Isso é indiscutível! Mas os nutrientes dos alimentos não podem ser mais importantes do que todo o contexto da alimentação.

Receber quantidades ideais de proteínas, cálcio, ferro e vitaminas sob pressão pode ser mais prejudicial do que ter uma refeição menos variada, porém sem brigas e choros. Quando olhamos os adultos à nossa volta, é nítida a relação conflituosa que temos com a comida: muitas vezes, na primeira oportunidade, fugimos das saladas ou não temos muita noção da nossa saciedade. Também nos premiamos com comida quase que inconscientemente. Será que estamos cientes de que estamos perpetuando esses padrões agindo de forma impositiva com nossos filhos?

Vou te dar algumas sugestões de como agir para ele comer verduras e legumes

Prepare legumes e verduras nas diversas refeições. Quando alguns alimentos não fazem parte da rotina da casa, é mais fácil da rejeição acontecer!

Coma os legumes e verduras que deseja que seu filho coma. Faça isso mesmo quando não estiver com a criança e reflita se tem prazer! Crianças são extremamente sensíveis e percebem o nosso comportamento e as nossas expressões.

Varie a forma de preparar! Se as folhas cruas não agradam, elas podem ser assadas! Se a cenoura não vai bem refogada, ela pode ser crua e ralada. Temperos, cortes e formas de cozinhar diferentes ampliam as possibilidades.

Não tenha em casa aquilo que não é para ser consumido com frequência.  Imagine como é complexo para uma criança entender que não pode comer um doce que está no armário ou na geladeira. Se não é para comer, por que ele estaria lá? Podemos fazer sobremesas, comer chocolate e chupar sorvete, mas não precisa ser a toda hora e em quantidades exageradas. Como parte da alimentação, é perfeitamente possível e não atrapalha o consumo de alimentos que precisam estar mais presentes.

Tenha em casa aquilo que você espera que seja rotina. Você deixa clara a rotina alimentar da sua família quando você escolhe o que comprar. Difícil querer que comam salada, se você só vai ao mercado no final de semana e as folhas já acabaram na quarta!

Preste atenção nos argumentos que usa para estimular uma criança a comer algo. Geralmente, explicamos que a criança precisa comer um legume porque faz bem ou porque vai deixá-la forte! Não que você não possa falar isso, mas dificilmente falamos que ele é gostoso! Sem perceber, já estamos atribuindo um valor ao alimento não muito atrativo com esse nosso argumento.

Estimule a autonomia da criança no momento das refeições. Permita que ela monte seu próprio prato, sendo apoiada por você. Dê mais liberdade. Converse sobre o desperdício. Estimule a pegar menos e, se quiser, repetir, em vez de montar pratos cheios.

Leve a criança para os momentos da compra e do preparo das refeições. Se tiver oportunidade, deixe-a ter contato com o cultivo dos alimentos. Isso dá outros sentidos para que ela tenha interesse e carinho pela comida.

Respeite! Esperamos que a criança goste daquilo que estamos preparando, mas ela já possui muitas preferências e aversões. Você pode estimulá-la a experimentar, mas perceba o limite entre incentivo e insistência e coloque-se no lugar dela. Se tem algo que você não gosta de comer, imagine alguém toda hora te oferecendo esse alimento. Chato né? Uma criança deve se sentir igual.

Se você se preocupa com os nutrientes, você pode deixar os alimentos que ela come mais enriquecidos. Pode colocar, por exemplo, legumes no caldo de feijão, verduras na macarronada e na torta! Faça isso, mas não esconda os ingredientes da criança e, principalmente, não substitua os alimentos que possam ser realmente identificados por esses que ficam disfarçados nos pratos.

Para terminar, um recado importante: comer verduras e legumes é hábito

Hábito alimentar é uma construção diária que não se limita ao momento das refeições. Encare a alimentação dos seus filhos com mais leveza e não como uma moeda de troca ou como um ponto de tensão da sua casa.